Ao mesmo tempo em que os postulados dispostos por E. Morim é de difícil entendimento. Quando assimilados trazem certo conforto para nossas consciências culpadas. Uma sobrecarga de responsabilidade está colocada sobre os profissionais da educação, e muitas frustrações ocorrem. Planejamos, projetamos..., e o resultado na maioria das vezes não sai como o esperado. Isso acontece porque ordem e desordem coexistem, e ambas são geradoras do novo. Novo que não pode necessariamente ser determinado a priori.
Nosso modelo educacional, apesar das críticas feitas ao regime militar, ainda é militarizado, ainda funciona obedecendo ao princípio da ordem e da hierarquia. Ou seja, somos conservadores, sentimos a necessidade de ter controle sobre o produto do nosso trabalho. Esquecendo que podemos direcionar, mas não podemos determinar consciências.
Numa linha de produção as anomalias são descartadas pelo controle de qualidade; na educação as “anomalias” obrigam a rever o processo de produção. Não podemos descartar seres humanos, mas descartamos métodos e receitas pedagógicas insatisfatórias. Isso, no entanto, sem nos desfazermos de nossas estruturas mentais que foram “formadas” dentro de uma “ordem”. Portanto, essas mesmas estruturas mentais são incapazes de perceber a desordem como algo positivo e necessário ao processo educativo criativo e edificante.
Nossos prédios escolares, projetados para atender a demanda da produção em série, reproduziu e continua reproduzindo o modelo fordista/taylorista na educação. Da mesma forma ocorre na organização da escola, onde até mesmo a disposição das carteiras na sala de aula continua militarizada, onde o professor “bom”, ainda, é aquele que consegue manter a turma sob controle.
A fragmentação do ensino em “matérias” separadas “independentes” foi uma adaptação das linhas de produção e montagem industrial, e que se generalizou em todos os níveis do processo ensino/aprendizagem.
Esse comentário se faz necessário para percebermos, que no caso da educação, a reforma de base não significa alterar a educação básica simplesmente, mas o ensino superior, que é de onde deve sair pensadores globalizados para atuarem nas séries iniciais, pensadores com uma nova estrutura mental para formarem uma nova estrutura nas bases.
Exercitemos pensar a longo prazo, porque o universo não tem pressa. Devemos aproveitar a aparente desordem para projetar uma ordem possível, e não determinada.
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