terça-feira, 18 de novembro de 2008

OS DONOS DA MÍDIA

No afã de ver os ideais neoliberais universalizados, a mídia se presta a confundir a opinião pública, colocando-se como defensora de seus interesses. Denunciando setores onde o poder público não conseguiu atingir resultados satisfatórios, ao mesmo tempo acusam o poder público de ter uma máquina “inchada”, de cobrar muitos impostos e “gastar mal” tais recursos.
A opinião pública desprovida de uma reflexão ideológica é incapaz de fazer uma leitura real do que há por detrás dessa postura da mídia capitalista. Não é permitido ao público entrever que esse é o comportamento dos defensores das privatizações de determinados setores estratégicos para a manutenção da força do Estado, como forma de torná-lo impotente, e reduzido ao mínimo possível o seu papel na sociedade, é o chamado “Estado mínimo”. Minimizado, o Estado não oferecerá nenhum risco ao domínio das elites, caso a classe trabalhadora assuma o seu controle.
As classes dominantes sempre fizeram uso dos recursos do Estado em benefício próprio. Voltando-se contra o Estado somente quando percebem a iminência de esta força ser utilizada em favor da classe historicamente desfavorecida pelo modelo social, econômico e político definido pelos detentores do poder.
No dado momento que acusam o Estado de ineficaz, forçando a sua redução e restrição da sua atuação, não deixam claro, nem mesmo implícito, qual o setor da iniciativa privada assistirá à massa de excluídos, produto inevitável do modelo de produção capitalista. Modelo que, de tempo em tempo altera seus critérios de seleção de pessoal, excluindo automaticamente os indivíduos que não se enquadram no novo modelo de gerenciamento. Tornando-os invisíveis, logo que transformados em estatísticas.
Todo o mecanismo exclusivista capitalista opera assistido por um “advogado” chamado ideologia, que inverte a realidade, sendo capaz de transformar vítima em culpado, através do discurso da falta de capacitação profissional, da falta de especialização, faz com que o indivíduo se sinta culpado de não estar preparado para o novo modelo de gestão. A propósito, quem não conhece alguém que dormiu empregado e acordou desempregado, porque a empresa a qual servia resolveu mudar a equipe administrativa, tornando-o excedente – desnecessário – desempregado.
Mesmo assim, o indivíduo não percebe que foi uma vítima da lógica da produção capitalista, que não tem regras definidas para o humano, apenas define critérios para a produção, o lucro. A mesma lógica de enxugamento de pessoal aplicado nas empresas para aumentar a margem de lucro, sem se preocupar com o que será feito do novo desempregado, se pretende seja aplicado pelo setor público na mesma proporção, usando como argumento ser uma “necessidade” para a manutenção do próprio Estado.
O futebol, que aparentemente se utiliza de uma linguagem popular, ao contrário, reflete bem a lógica do mercado, onde ninguém é bom o suficiente para sentir-se seguro na posição em que se encontra. De um jogo para o outro, o técnico que começou bem o campeonato é dispensado porque perdeu dois jogos consecutivos; com a chegada do novo técnico, jogadores importantes no esquema anterior, já não têm lugar no novo time, não se enquadram no esquema tático do novo técnico, e são dispensados.
Voltando ao papel da mídia, agora fica mais fácil entender porque há tanto barulho nos meios de comunicação, denúncias e descontentamentos, que curiosamente não conseguem atingir o grande público e mobilizá-lo.
É simples, o grande público é a classe trabalhadora, que pela primeira vez na história do país, assiste à insatisfação das classes historicamente favorecidas pelos recursos do Estado, que nos últimos anos vem mudando suas prioridades. O que tem suscitado nesses grupos o receio de perder o controle do Estado, e que este, se mantenha sob o controle e a serviço da classe trabalhadora. Caso isso não tivesse ocorrendo, possivelmente estaríamos assistindo a receitas de bolo pobre em horário nobre. Isto porque nada teriam a mostrar, mas sim, a esconder.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bem, não podemos esquecer de questionarmos a veracidade das denúncias. Será que realmente São todos vítimas?

E também quem é mesmo a classe trabalhadora? Ou pelo menos a maior parte dela? Não são parte de nossos alunos que mal sabem interpretar textos, ler um bom livro, ler jornais e ver um tele jornal?

Temos que pensar sobre isso... Sem pensar em que lado estamos mas fazermos realmente uma análise crítica de "toda" a situação.